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Abril 2011

Uma vez mais o Senhor nos convoca a segui-lo pelos caminhos da Cruz a fim de sermos por Ele mergulhados no coração mesmo do MISTÉRIO DO AMOR: a Paixão, Morte e RESSURREIÇÃO através do qual seu AMOR triunfante nos envolve e nos encoraja à conversão do coração, para uma vida nova no amor! É a cativante experiência da Páscoa da Ressurreição do Senhor Jesus.

O Apóstolo Paulo, em sua Carta aos Filipenses, cap.2, coloca-nos em adoração contemplativa diante da grandiosidade deste Mistério de Amor: “Ele, sendo de condição divina, não usou de seu direito de ser tratado como Deus, mas despojou-se, tomando a forma de escravo. Tornado-se semelhante aos homens e reconhecido em seu aspecto como um homem, humilhou-se, tornando-se obediente até à morte, morte sobre um cruz. Por isso Deus o elevou soberanamente e lhe conferiu um nome que está acima de todo nome, a fim de que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e sob a terra e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai!”

Esta solene e comovente proclamação, no contexto destes dias quaresmais, que nos direcionam para a grande celebração da Páscoa da Ressurreição, abre para nós um imenso horizonte de AMOR, de uma novidade de vida, de uma total revisão das razões do nosso viver e do nosso sentir, levando-nos a buscar no mistério pascal o sentido real da nossa vida neste mundo: experimentar profundamente a maravilhosa pessoa do Senhor Jesus Ressuscitado!

O Documento de Aparecida assim nos orienta: “O mistério pascal de Jesus é o ato de obediência e amor ao Pai e de entrega por todos os seus irmãos. Com esse ato, o Messias doa plenamente aquela vida que oferecia nos caminhos e aldeias da Palestina. Por seu sacrifício voluntário, o Cordeiro de Deus oferece sua vida nas mãos do Pai (cf.Lc.23,46), que o faz salvação ‘para nós’ (1Cor.1,30). Pelo mistério pascal o Pai sela a nova aliança e gera um povo que tem por fundamento seu amor gratuito de Pai que salva!” (D.A.143)

Eis o pano de fundo de tudo o que vamos viver nos grandes e santos dias em que a Igreja proclamará solenemente a narrativa evangélica da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus.

Desde o Domingo de Ramos até à grandiosa Vigília do Sábado Santo, este AMOR infinito do Senhor por nós se desdobrará em diversas dimensões iluminadoras do nosso caminho cotidiano neste mundo: o significativo momento da Missa do Crisma, congregando os Presbíteros da Arquidiocese ao redor dos seus Bispos, para reassumirem seus compromissos sacerdotais de uma vida santa e apostólica, na presença de toda a Comunidade de fiéis; a evocação da Instituição da Santíssima Eucaristia, na Última Ceia; a adoração da Santa Cruz e a evocação do momento da morte do Senhor, ouvindo, no silêncio da fé, o eco do grito aflito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”; e a vibrante proclamação da Ressurreição, após a bênção do fogo, sinal do Cristo Ressuscitado, seguida da Missa da Ressurreição!

Todo este itinerário espiritual nos leva a sentir ainda mais fortemente no coração, o quanto urge para todos nós, Igreja do Cristo Ressuscitado, levarmos com coragem e destemor, a LUZ DO CRISTO RESSUSCITADO a este nosso Mundo tão imerso em densas trevas, asfixiado pelo ar de morte, oprimido por um vazio de Deus que é mais trágico do que os trágicos Tsunamis da natureza… Que a Páscoa encontre nossas Famílias vigilantes, iluminadas pela presença do verdadeiro amor, proclamadoras da sacralidade da vida, dom de Deus, desde a sua concepção até ao seu término natural. Que nossos jovens, nesta Páscoa, sejam ajudados a perceber a força iluminadora do verdadeiro amor e se disponham a partir para a conquista de outros jovens ainda prisioneiros dos esquemas da violência e da morte, a fim de mergulhá-los nas águas da vida e da alegria! Vamos, nesta Páscoa, meus Irmãos e Irmãs, proclamar com vigor e com o testemunho de nossa fé, que o Cristo ressuscitou para implantar um MUNDO NOVO, um Mundo de Amor, de Justiça, de Verdade e de Fé, de fraternidade entre todos os Povos, sem guerra e sem ódios.

Assim nos ajude a intercessão da Mãe da Ressurreição, a Santíssima Virgem Maria, que foi a primeira a receber a Luz do Cristo Ressuscitado, seu Filho amado!

Feliz e santa Páscoa para todos, Páscoa de uma vida nova, cheia de Luz, de Alegria e de Paz!

+ D. Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niterói

Fonte: Arquidiocese de Niterói

Março 2011

Caríssimos Irmãos e Irmãs

Com estas palavras, verdadeiro convite amoroso do Senhor, iniciamos o grande Tempo da Quaresma, recebendo a imposição das cinzas, na quarta-feira de cinzas. A mãe Igreja convida-nos a fazer deste Tempo Quaresmal um tempo de profundo encontro da nossa pobre e frágil realidade de pecadores com a imensa Misericórdia de Deus, Pai de infinita bondade.

A parábola do filho pródigo, em Lucas 15, que devemos ler e muito meditar, ilustra de modo comovente a relação de bondade do Pai conosco seus filhos ingratos e rebeldes: a Misericórdia que tudo perdoa, tudo esquece… encorajando-nos  a buscar com ânimo e decisão uma conversão mais profunda do nosso coração para Deus e para nosso próximo. Esta conversão brota em nosso coração, em nossa vida quando procuramos os caminhos de uma “penitência interior”,  penitência que o Catecismo da Igreja Católica assim explica: “ A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rejeição do pecado, uma aversão ao mal, uma repugnância contra as más ações que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, na esperança da misericórdia divina e na ajuda de sua graça.”(CIC. nº 1431).

Muito mais do que práticas exteriores de penitência, o que o Senhor nos encoraja a buscar com decisão e firmeza, é a mudança do coração, mudança que o saudoso Papa Paulo VI na sua carta-encíclica sobre a penitência quaresmal fundamenta sobre dois pilares básicos: o amor a Deus e o amor ao próximo. É toda uma sincera revisão de nossos relacionamentos fraternos, familiares, profissionais, comunitários que precisa ser feita, à luz do amor a Deus.

São João, em sua 1ª Carta nos fala a este respeito com palavras bem fortes: “Se alguém disser – amo a Deus – mas odeia seu irmão é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. E este é o mandamento que d’Ele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também seu irmão!” (1ª Jo 4,20-21)

Tais são os caminhos que o Espírito Santo de Deus nos indica no início desta Quaresma, e para cujo percurso Ele nos concede as graças do perdão e da misericórdia que devemos buscar especialmente na Confissão sacramental. Não tenhamos medo de “desnudar” completamente nossa alma pecadora diante do olhar de misericórdia do Pai, para que este olhar cauterize, com o fogo do seu amor divino, as feridas de nossos pecados, de nossas fragilidades, recompondo nela o estado de graça, o florescer das virtudes, para um vida mais santa e iluminada.

Dentro deste contexto de busca de uma vida nova em Cristo, reveste-se de um significado todo especial a celebração litúrgica da Festa de São José, esposo castíssimo da Virgem Maria. O perfil do homem justo, humilde, obediente, cheio de fé e fiel à missão que Deus lhe reservou para a proteção de Maria e de seu Divino Filho, Jesus, torna-se um referencial para nossa busca de conversão. De fato, na jornada cotidiana, nossa fraqueza espiritual provem tantas vezes de uma falta de zelo pela justiça, da falta de humildade no nosso modo de ser e de agir, da nossa arrogância e rebeldia diante de Deus, da falta de fé e de fidelidade no nosso coração. São José muito nos encoraja com seu exemplo de vida e, sem sombra de dúvida, muito intercede junto ao Senhor pela nossa conversão e mudança de vida.

Percorrendo, assim, o itinerário penitencial da Quaresma, preparemo-nos para, uma vez mais, celebrarmos com vibrante alegria a Páscoa da Ressurreição, acendendo, com nosso testemunho de vida renovada, a Luz do Cristo Ressuscitado em meio às densas trevas da modernidade relativizadora, pagã, cada vez mais tão carente de Deus! Que a Santa Mãe de Deus nos acompanhe neste caminho espiritual da busca da conversão e nos ajude a responder com amor apaixonadíssimo ao amor que seu Filho Jesus tem por nós, pobres pecadores.

+ D. Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niterói

Fonte: Arquidiocese de Niterói

Campanha da Fraternidade 2011 reflete sobre vida no planeta

Leonardo Meira, com colaboração de Nicole Melhado e Gracielle Reis
Da Redação Canção Nova

 

Conversão, fé, mudança de vida e um planeta no qual vigore o desenvolvimento sustentável e a vida é respeitada como dom em todas as suas manifestações. Todos esses temas estão interligados e é para mostrar estes vínculos estreitos que se dedica a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano.

O tema da CF 2011 é “Fraternidade e a Vida no Planeta”, com o lema “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 22). Desde 1964, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe anualmente algum tema de relevância para auxiliar a caminhada dos católicos durante os quarenta dias que separam a Quarta-feira de Cinzas da Páscoa – denominado “Quaresma” no calendário litúrgico.

O secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, recorda a originalidade da Campanha, que “pretende sempre suscitar debate e se tornou um dos principais instrumentos de conscientização que a Igreja dispõe em nível nacional. É um produto genuinamente brasileiro. Não existe nada similar em outros países. É a nossa maneira concreta de viver a Quaresma”, explica.

Acesse
.: Podcast: Entrevista com Dom Dimas
.: Podcast: Entrevista com padre Luiz

“A Campanha quer cooperar para que todos os cristãos possam fazer uma caminhada de conversão pessoal e celebrar com grande alegria a Páscoa de Jesus”, destaca o secretário-executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias.

A temática ambiental/ecológica é trabalhada em diversos níveis, desde governo até comunidades. No entanto, qual é a diferença que aparece quanto o assunto é tratado no terreno da Igreja? “Fazemos isso a partir de nossa visão de pessoa e da própria Doutrina Social da Igreja (DSI). Nosso diferencial é a finalidade da Quaresma e as reflexões realizadas à luz da fé – nos interessa perceber o que a fé, a Tradição, a Palavra de Deus têm a nos dizer”, relata Dom Dimas.

Nesse processo, a conscientização das comunidades é o primeiro passo para a tomada de ações concretas, levando em conta as demandas de cada realidade. “Aí, não podemos deixar uma reflexão de lado: o consumo. Vivemos numa sociedade consumista por excelência. É um sistema que gira dessa forma. E as pessoas vão se tornando cada vez mais homofabers (viver para trabalhar), buscam apenas a perspectiva do conforto, do bem-estar, enfim”, lembra padre Dias.

Tema e história

O lema da CF 2011 é retirado de uma das várias cartas escritas por São Paulo, que possui uma “visão cósmica da salvação”, conforme explica o secretário-geral da CNBB.

“Para Paulo, a salvação não é assunto referente apenas às almas, nem somente aos cristãos, é algo que diz respeito à humanidade toda. Mais ainda, a todo o universo. Jesus é o mediador de uma nova e eterna aliança que tem repercussões cósmicas. Nesse sentido, Paulo lembra que a criação inteira ainda aguarda sua plenitude, que realiza-se em Cristo, porque n’Ele todas as coisas foram feitas”, salienta o bispo.

Nessa perspectiva, o ser humano precisa assumir seu papel de cocriador na criação, enquanto administrador de tudo o que foi criado por Deus.

“As Campanhas anteriores tiveram um foco bem saliente nos sofredores e pobres, necessitados, e é importante que seja assim. No entanto, o foco agora se alarga para pensar na vida do planeta como tal. Afinal de contas, nem pobres ou ricos sobreviverão se o planeta for destruído”, pondera Dom Dimas.

Acerca da noção de desenvolvimento sustentável, o secretário-geral adverte que todos querem desenvolvimento, mas é preciso buscá-lo com responsabilidade. “Muitos países estão pouco interessados com o futuro e investem em processos contra o meio ambiente. Isso é irresponsável, pois o que está em jogo não é a vida da geração de hoje somente, mas das gerações futuras, ameaçadas quando iniciativas públicas não são feitas com responsabilidade”.

A preocupação com ecologia é presença de longa data nas CF’s. Já em 1979 acontecia a primeira Campanha com viés ecológico, com o tema “Por um mundo mais humano” e o lema “Preserve o que é de todos”. Após, houve outras campanhas com a presença do tema ecológico, como “Fraternidade e Água” (2004) e “Fraternidade e Amazônia” (2007), por exemplo.

Escolha

Os temas das Campanhas não são impostos pelo episcopado brasileiro. Pelo contrário, há todo um processo de consulta às comunidades, pastorais e agentes.

“Especialmente nos últimos 20 anos, a Campanha assumiu temas de envergadura social bem ampla, para que a Palavra e a experiência de fé possam iluminar cada situação”, sublinha padre Luiz Dias.

Os temas são escolhidos sempre com dois anos de antecedência, para que se possa ter tempo de trabalhar no texto-base e alavancar reflexões, bem como desenvolver outros textos de caráter litúrgico, catequético e outras iniciativas. Da mesma forma, o processo de escolha do hino conta com um p rocesso de escolha com ampla participação popular.

“O processo de escolha é bastante participativo, uma vez que faz as pessoas que estão com ‘a mão na massa’ se mobilizarem e propor os temas”, finaliza Dom Dimas.

Leia mais…
.:
Dom Dimas falará sobre CF em coletiva de imprensa
.: Meio Ambiente será tema da Campanha da Fraternidade 2011

Fonte: Canção Nova

Queridos,

Na próxima sexta-feira, dia 11 de fevereiro, a Igreja celebra o dia de Nossa Senhora de Lourdes e, como assim o quis o venerável João Paulo II, nos propõe o Dia Mundial do Doente.

Em conformidade com o que disse o Santo Padre, Bento XVI, este é um tempo propício para que possamos refletir sobre o sofrimento e, sobretudo, transmitir a mensagem a toda sociedade, para que se sensibilizem e solidarizem com todos os irmãos e irmãs enfermos, necessitados de cuidados.

Tocados pela misericórdia de Jesus, que através de nós pode se fazer presente na vida do irmão que sofre, convidamos a todos para participar da Celebração da Santa Missa pelo Dia Mundial do Enfermo, presidida pelo nosso Arcebispo, Dom Alano, em um momento de comunhão e união de nossas intenções em favor de todos os que padecem.

Dia 11/02/2011, sexta-feira, às 16h
Catedral de São João Batista
Praça Dom Pedro II, Centro, Niterói, RJ

«Pelas suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24).

Queridos Irmãos e Irmãs!

Todos os anos, na memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, que se celebra a 11 de Fevereiro, a Igreja propõe o Dia Mundial do Doente. Esta circunstância, como quis o venerável João Paulo II, torna-se ocasião propícia para refletir sobre o mistério do sofrimento e, sobretudo, para tornar as nossas comunidades e a sociedade civil mais sensíveis aos irmãos e irmãs doentes. Se todos os homens são nossos irmãos, aquele que é débil, sofredor ou necessitado de cuidado deve estar mais no centro da nossa atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou marginalizado; com efeito «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana» (Carta enc. Spe salvi, 38). As iniciativas que serão promovidas nas diversas Dioceses, por ocasião deste Dia, sirvam de estímulo para tornar cada vez mais eficaz o cuidado para com os sofredores, também na perspectiva da celebração de modo solene, que terá lugar em 2013, no Santuário mariano de Altötting, na Alemanha.

1. Tenho ainda no coração o momento em que, durante a visita pastoral a Turim, pude deter-me em reflexão e oração diante do Santo Sudário, diante daquele rosto sofredor, que nos convida a meditar sobre Aquele que carregou sobre si a paixão do homem de todos os tempos e lugares, inclusive os nossos sofrimentos, as nossas dificuldades e os nossos pecados. Quantos fiéis, no curso da história, passaram diante daquele tecido sepulcral, que envolveu o corpo de um homem crucificado, que corresponde em tudo ao que os Evangelhos nos transmitem sobre a paixão e a morte de Jesus! Contemplá-lo é um convite a reflectir sobre quanto escreve São Pedro: «Pelas suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24). O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e exatamente por isso aquelas chagas tornam-se o sinal da nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai; tornam-se, contudo, também um banco de prova para a fé dos discípulos e para a nossa fé: todas as vezes que o Senhor fala da sua paixão e morte, eles não compreendem, rejeitam, opõem-se. Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre carregado de mistério, difícil de aceitar e suportar. Os dois discípulos de Emaús caminham tristes, devido aos acontecimentos daqueles dias em Jerusalém, e só quando o Ressuscitado percorre a estrada com eles, se abrem a uma visão nova (cf. Lc 24, 13-31). Também o apóstolo Tomé mostra a dificuldade em crer na via da paixão redentora: «Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei» (Jo 20, 25). Mas diante de Cristo que mostra as suas chagas, a sua resposta transforma-se numa comovedora profissão de fé: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo 20, 28). O que antes era um obstáculo intransponível, porque sinal da aparente falência de Jesus, torna-se, no encontro com o Ressuscitado, a prova de um amor vitorioso: «Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé» (Mensagem Urbi et Orbi, Páscoa de 2007).

2. Queridos doentes e sofredores, é justamente através das chagas de Cristo que podemos ver, com olhos de esperança, todos os males que afligem a humanidade. Ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal do mundo, mas extirpou-os pela raiz. À prepotência do Mal opôs a omnipotência do seu Amor. Indicou-nos então, que o caminho da paz e da alegria é o Amor: «Como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros» (Jo 13, 34). Cristo, vencedor da morte, está vivo no meio de nós E enquanto com São Tomé dizemos também: «Meu Senhor e meu Deus», seguimos o nosso Mestre na disponibilidade a prodigalizar a vida pelos nossos irmãos (cf. 1 Jo 3, 16), tornando-nos mensageiros de uma alegria que não teme a dor, a alegria da Ressurreição.

São Bernardo afirma: «Deus não pode padecer, mas pode compadecer». Deus, a Verdade e o Amor em pessoa, quis sofrer por nós e connosco; fez-se homem para poder com-padecer com o homem, de modo real, em carne e sangue. Em cada sofrimento humano, portanto, entrou Aquele que partilha o sofrimento e a suportação; em cada sofrimento difunde-se a con-solatio, a consolação do amor partícipe de Deus para fazer surgir a estrela da esperança (cf. Carta enc. Spe salvi, 39).

A vós, queridos irmãos e irmãs, repito esta mensagem, para que sejais suas testemunhas através do vosso sofrimento, da vossa vida e da vossa fé.

3. Considerando o encontro de Madrid, no mês de Agosto de 2011, para a Jornada Mundial da Juventude, gostaria de dirigir também um pensamento especial aos jovens, especialmente aos que vivem a experiência da doença. Com frequência a Paixão e a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da vida. Na realidade, é exactamente o contrário! A Cruz é o «sim» de Deus ao homem, a expressão mais elevada e intensa do seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna. Do Coração trespassado de Jesus brotou esta vida divina. Só Ele é capaz de libertar o mundo do mal e de fazer crescer o seu Reino de justiça, de paz e de amor ao qual todos aspiramos (cf. Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de 2011, 3). Queridos jovens, aprendei a «ver» e a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde Ele está presente de modo real para nós, até se fazer alimento para o caminho, mas sabei reconhecê-lo e servi-lo também nos pobres, nos doentes, nos irmãos sofredores e em dificuldade, que precisam da vossa ajuda (cf. ibid., 4).

A todos vós jovens, doentes e sadios, repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade, para que ninguém se sinta sozinho, mas próximo de Deus e parte da grande família dos seus filhos (cf. Audiência geral, 15 de Novembro de 2006).

4. Ao comtemplar as chagas de Jesus o nosso olhar dirige-se ao seu Sacratíssimo Coração, no qual se manifesta em sumo grau o amor de Deus. O Sagrado Coração é Cristo crucificado, com o lado aberto pela lança, do qual brotam sangue e água (cf. Jo 19, 34), «símbolo dos sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos pelo Coração do Salvador, bebam com alegria na fonte perene da salvação» (Missal Romano, Prefácio da Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus). Especialmente vós, queridos doentes, sentis a proximidade deste Coração cheio de amor e bebeis com fé e alegria de tal fonte, rezando: «Água do lado de Cristo, lava-me. Paixão de Cristo, fortalece-me. Oh, bom Jesus, ouve-me. Nas tuas chagas, esconde-me» (Oração de Santo Inácio de Loyola).

5. Na conclusão desta minha Mensagem para o próximo Dia Mundial do Doente, desejo exprimir o meu afecto a todos e a cada um, sentindo-me partícipe dos sofrimentos e das esperanças que viveis quotidianamente em união com Cristo crucificado e ressuscitado, para que vos conceda a paz e a cura do coração. Juntamente com Ele ao vosso lado vigie a Virgem Maria, que invocamos com confiança como Saúde dos enfermos e Consoladora dos sofredores. Aos pés da Cruz realiza-se para Ela a profecia de Simeão: o seu Coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35). Do abismo da sua dor, participação no sofrimento do Filho, Maria tornou-se capaz de assumir a nova missão: tornar-se a Mãe de Cristo nos seus membros. Na hora da Cruz, Jesus apresenta-lhe cada um dos seus discípulos, dizendo-lhe: «Eis o teu filho» (cf. Jo 19, 26-27). A compaixão materna para com o Filho torna-se compaixão materna para cada um de nós nos nossos sofrimentos quotidianos (cf. Homilia em Lourdes, 15 de Setembro de 2008).

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial do Doente, exorto também as Autoridades a fim de que invistam cada vez mais energias em estruturas médicas que sirvam de ajuda e apoio aos sofredores, sobretudo aos mais pobres e necessitados e, dirigindo o meu pensamento a todas as Dioceses, transmito uma saudação afectuosa aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, aos seminaristas, aos agentes no campo da saúde, aos voluntários e a todos os que se dedicam com amor a cuidar e aliviar as chagas de cada irmão e irmã doente, nos hospitais ou casas de cura, nas famílias: nos rostos dos doentes sabei ver sempre o Rosto dos rostos: o de Cristo.

A todos garanto a minha recordação na oração, enquanto concedo a cada um a especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 21 de Novembro de 2010.

BENEDICTUS PP. XVI

Fonte: Site Oficial do Vaticano

História de São Camilo

A HISTÓRIA DE SÃO CAMILO DE LELLIS (1550 – 1614)

Pertencente de uma nobre e tradicional família, Camilo de Lellis foi militar e, pelo seu caráter, expulso da tropa. Viciado em jogo, levava vida profana e decadente. Perdeu todos os seus bens. No momento mais melancólico de sua vida, em uma situação de mendicância, Camilo foi tocado pela graça divina, arrependendo-se de todos os seus pecados, passando a dedicar sua vida a servir, por espírito de caridade, aos doentes pobres em hospitais. E diante de tanta dedicação, fundou a Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos. E não é por menos que tornou-se patrono dos enfermos e dos hospitais.

Seu sobrenome remonta à história da igreja, época de Teodoro de Lellis, o Cardeal Pio II. Mas São Camilo de Lellis fez a própria história e deixou sua fé e sua dedicação aos enfermos disseminadas por todo o mundo.

São Camilo era italiano de Abruzzo, mas precisamente da cidade de Bucchianico. Em 1550, ano de seu nascimento, sua família carregava no sangue virtude, coragem e brio dos que lutaram nas Cruzadas.

Seu nascimento coroou o casamento de tantos anos da senhora Camila, a mãe, que até os 60 anos de idade não tinha conseguido dar um herdeiro ao esposo João.

Vida Voluntária

E foi com 17 anos que Camilo alistou-se como voluntário no exército de Veneza. Naquela época, pôde conviver com o drama dos enfermos que agonizavam diante de várias doenças. Foi dessa época também que Camilo passou a viver com uma dolorosa úlcera no pé, que o acompanhou até o último dia de vida. Nesse período, também sofreu a perda do pai e sua vida enveredou-se para os prazeres mundanos, como o da jogatina.

A vida de Camilo mudou completamente. Sofreu diante da falta de condições financeiras e de saúde. Doente, não conseguiu local para internar-se, o que o fez partir para Roma, pedindo auxílio no Hospital Santiago, justamente para tratar da chaga no pé direito. Camilo não tinha dinheiro para pagar o tratamento e ofereceu-se para trabalhos de servente e de enfermeiro.

Mal cicatrizada a ferida, Camilo, sem nenhum recurso financeiro, soube que o país recrutava voluntários para combater os turcos. E lá foi ele. Não parou tão cedo. Em 1573, mais um combate. Neste ano, quase restabelecido economicamente, Camilo, mais uma vez, rendeu-se aos prazeres mundanos e atirou-se aos jogos. Perdeu tudo. Ficou a zero, reduzido à miséria. Retornou a Nápoles e prometeu se fazer religioso franciscano.

Um ano depois, Camilo esqueceu-se do voto que fizera de se tornar religioso franciscano e mergulhou novamente no jogo. O jogo e a bebida tornaram-se vícios em sua vida. Ficou novamente na miséria. Partiu para Veneza. Passou frio e fome. Não tinha onde morar, nem dormir. Em uma das derrotas no jogo, deu como pagamento a própria camisa. Depois de muito perambular, conseguiu abrigo no convento dos capuchinhos, momento em que lembrou do voto de tornar-se religioso. Converteu-se realmente.

Cumpriu Abnegado Sua Missão

Camilo retornou ao Hospital Santiago, desta vez como mestre da casa. Apesar de doente, tratou dos enfermos como de si. Em 1581, com a saúde precária, decide tratar dos doentes gratuitamente. Na época, Camilo foi levado a agir assim diante da exploração, desonestidade e falta de escrúpulos dos médicos para com os doentes. Em 1582, Camilo teve a primeira inspiração de instituir uma companhia de homens piedosos que aceitassem, generosamente, a missão de socorrer os pobres enfermos, sem preocupação de recompensa.

Aos 32 anos voltou aos estudos, sendo ordenado sacerdote aos 34 anos. Aos 18 de março de 1586, o papa Sixto V aprova a Congregação Religiosa fundada por Camilo.

Em 21 de setembro de 1591, o papa Gregório XIV eleva a Congregação de Camilo ao “status” de Ordem Religiosa.

Na guerra que logo em seguida houve na Hungria, os “Camilianos” trabalharam como primeira unidade médica de campo, cuidando dos feridos.

Não bastou a Camilo tomar consigo apenas bons enfermeiros e alguns até médicos, os doentes careciam também de assistência religiosa. É evidente que a alma bem cuidada dispõe melhor o corpo para suportar os sofrimentos e sobrepor-se à doença. Vale destacar que antes de ser santo, Camilo não tinha qualquer ligação de fé no Senhor.

Muito doente, Camilo renunciou ao cargo de Superior Geral de sua Ordem Religiosa em 1607.

Faleceu em Roma aos 14 de julho de 1614. Sua festa é celebrada aos 14 de julho, data de sua morte.

Nos primeiros dias de julho de 1614, já no seu leito de morte, recebeu a última comunhão e deixou as seguintes recomendações:

“Observai bem as regras. Haja entre vós uma grande união e muito amor. Amai, e muito, a nossa Ordem, e dedicai-vos ao apostolado dos enfermos. Trabalhai com muita alegria nesta vinha do Senhor. Se Deus me levar para o Céu, vos hei de ajudar muito de lá. As perseguições que sofreu nossa obra vieram do ódio que o demônio tem ao ver quantas almas lhe escaparam pelas garras. E já que Deus se serviu de mim, vilíssimo pecador para fundar miraculosamente esta Ordem, Ele há de propagá-las para o bem de muitas almas pelo mundo inteiro. Meus padres e queridos irmãos: eu peço misericórdia a Deus e perdão ao padre Geral aqui presente e a todos vós, de todo mau exemplo que eu pudesse ter dado, talvez mais pela minha ignorância, do que pela má vontade. Enfim, eu vos concedo da parte de Deus, como vosso Pai, em nome da Santíssima Trindade e da bem-aventurada Virgem Maria, a vós aqui presentes, aos ausentes e aos futuros, mil bênçãos”.

Camilo de Lellis morreu no dia 14 de julho de 1614. Seu féretro foi marcado por muita comoção e acompanhado por uma multidão. Mas um milagre era visto naquele dia: enquanto preparavam o corpo de Camilo para o funeral, os médicos, estarrecidos, notaram que a chaga havia desaparecido.

Em 1746, durante uma festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o Papa Bento XIV, no dia 29 de junho, declara Santo o nome de Camilo de Lellis.

Em 1886, Leão XIII declarou São Camilo, juntamente com São João de Deus, Celestes protetores de todos os enfermos e hospitais do mundo católico.

No dia 28 de setembro de 1.930, Pio XI proclamou Camilo ” Protetor dos profissionais da saúde”

Fonte: Província Camiliana Brasileira

Semana Nacional da Vida

Com o tema “Vida, Ecologia Humana e Meio Ambiente”, a Igreja no Brasil realiza a Semana Nacional da Vida, nos dias 1 a 7 de outubro, culminando com o Dia do Nascituro, no dia 8.

Segundo a pastoral familiar, o tema foi escolhido com o incentivo da proposta da encíclica Centesimus Annus do papa João Paulo II de 1991. Neste documento, o papa fala da necessidade de uma ecologia humana e do atraso em compreender que não é possível utilizar todo o poder da natureza de forma desregrada. O papa Bento XVI, na mensagem para o Dia mundial da Paz, em 2007, ratificou que “a destruição do meio ambiente, um uso impróprio ou egoísta do mesmo e a apropriação violenta dos recursos da terra são fruto de um conceito desumano de desenvolvimento”.

Neste período, as dioceses são convidadas a desenvolver atividades em torno do tema, focando sempre o direito a vida e a preservação da dignidade humana.

A Semana Nacional da Vida foi instituída em 2005 pela 43ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Outras informações no site www.cnpf.org.br.

Conteúdo, Artigos e sugestões para a Semana Nacional da Vida

Fonte: Arquidiocese de Niterói, CNBB